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Quanto mais suarmos pela Paz, menos sangue será derramado em Guerra

João Simões de Abreu, August 26, 2021

Maryam é afegã. Com apenas 24 anos é mãe de duas raparigas e dois rapazes, que foram forçados a sair de casa em julho devido aos crescentes conflitos armados no distrito de Sholgara (norte do Afeganistão). As forças da oposição invadiram a sua província e envolveram-se em batalhas com as forças governamentais.

“Não tivemos tempo de reunir nada. Fugimos apenas com um cobertor”, refere Maryam a um repórter que trabalha com o ACNUR, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados.

Embora a guerra seja um dos principais problemas neste país do Médio Oriente, como cidadã afegã, os seus problemas começaram há cerca de uma década. A então adolescente de 13 anos foi forçada a casar com um homem que nunca tinha visto na vida e, após o casamento, foi obrigada a mudar-se para uma cidade que até então desconhecia.

Criou quatro filhos numa zona onde as batalhas entre o governo e as forças da oposição são uma doença crónica. Acabou por perder o marido num fogo cruzado e ficou sozinha a cuidar da família.
Passaram por duas cidades – uma delas Cabul – antes de acabarem no acampamento para cidadãos deslocados. Myriam, que tinha uma visão muito diferente para a sua vida: esperava obter uma educação e começar a trabalhar para sustentar a sua família, vive hoje numa tenda de tecido.

A mãe de quatro é uma das 550.000 afegãs que foram deslocadas devido ao ressurgimento dos conflitos militares no país. “Mais de 250.000 pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas desde o final de maio, das quais 80% são mulheres e crianças”, disse a porta-voz do ACNUR, Shabia Mantoo, numa conferência de imprensa em Genebra.

Para piorar a situação, o Banco Mundial estima que 45% da população do país sofre de subnutrição, devido na sua grande maioria à pobreza – “Houve noites em que não tínhamos nada para comer”, diz Maryam. As alterações climáticas também estão a ter o seu preço, com uma forte seca a afetar até 80% do país. Várias mães do campo relatam que os seus filhos adoeceram depois de terem bebido água salgada num poço próximo.

A recente ocupação pelas forças talibãs lançou luz sobre um conflito que os meios de comunicação ocidentais mantiveram adormecido na última década. Todos nós vimos as imagens de pessoas a tentarem fugir do país. A corrida para os aeroportos, mulheres que deram os seus bebés às forças militares e pessoas que subiam a uma asa de avião apenas para caírem momentos após descolar.
Temos tendência para ver e pensar em problemas como os relatados no Afeganistão quando atingem o seu auge. Quando os vídeos mostram a tragédia de pessoas mortas por insurgentes, o desespero das mães que entregam os seus bebés e a decisão irracional de cidadãos que sobem a uma asa de avião com a esperança de fugir da guerra.

Temos de suar mais pela Paz para que menos sangue seja derramado em Guerra

Mas como é que o podemos fazer? Devemos abordar a Paz da mesma forma que a Saúde deve ser abordada? Ou seja, não combatendo a doença, mas impedindo-a de acontecer – ajudando as áreas com menos recursos ou em conflito a criar meios para assegurar aos habitantes locais o desenvolvimento de um ambiente sócio-económico estável.

Em caso afirmativo, como podemos criar um tal ambiente? Um que alimente e eduque cada criança, mulher e homem sem nunca precisar de criar uma arma e subjugar os seus pares. Como podemos utilizar a tecnologia para ajudar a criar estas comunidades e estabelecer a Paz?

A Paz será um dos temas de discussão no próximo Q-Day 2030 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, que terá um painel com especialistas que partilharão como podemos usar a tecnologia para superar um dos desafios mais prementes da Humanidade.

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