Fazer da crise uma oportunidade
Há quatro anos poucos acreditaram nas suas palavras. Em Washington, durante uma palestra realizada no Fundo Monetário Internacional, fez uma intervenção sobre a crise financeira que aí vinha que só provocou risos. Mas as “visões” do economista Nouriel Roubini confirmaram-se e hoje a crise é palavra obrigatória nas agendas políticas de todo o mundo. Na Europa e nos EUA os bancos foram submetidos, pela primeira vez, a testes de “stress”, algumas nações ficaram à beira da bancarrota, os impostos aumentaram, o comércio estagnou e o estado social está em crise. Mas esta não é a primeira crise – nem será certamente a última – que a economia global enfrenta.
É por isso que o desânimo e as lamentações não ajudam as pessoas, as empresas, os governos e as sociedades a sair dela. Se em 1929, entre 1939 e 1945 ou em 1973 os empreendedores, os políticos, os cientistas, os media e toda a sociedade em geral se tivessem resignado, o futuro não teria existido. O desafio volta a ser esse mesmo: o futuro. O que devemos fazer é aprender com a actual crise e tornar esse futuro numa nova página da história da economia, da política, da ciência, das artes. Enfim, da Humanidade. As palavras-chave para escrever este novo capítulo são a inovação e os valores. Significam uma vontade constante de descobrir novos caminhos, despertar capacidades, optar pela excelência, compromissos, coerência e procurar uma afirmação consistente, credível e responsável.
Sabemos que o caminho não é fácil e que a inovação e os valores têm sido, em alguns casos, mais um chavão do que uma atitude. Apesar disso, nos últimos 20 anos as tecnologias de informação revolucionaram o mundo e com esta crise provou-se que é preciso regressar à força dos valores. Todos os indicadores revelam que as sociedades que assentaram o seu desenvolvimento nas tecnologias de informação – onde a inovação é permanente - ficaram mais prósperas, mais eficientes, mais sábias e mais conhecedoras. Também enfrentaram novos perigos e ameaças, mas isso faz parte da evolução e combate-se com uma regulação atenta e também inovadora e com uma reafirmação de valores como a honestidade, a competência, a clareza, a confiança.
Portugal não escapou à crise. Mas não está num túnel sem saída. Há mudanças corajosas a fazer e mentalidades para mudar. Olhando para esta primeira década do século XXI, o País conseguiu colocar a tecnologia e a inovação no topo das prioridades políticas e empresariais, mas nem tudo são rosas. Uma coisa são powerpoints cheios de objectivos estratégicos e boa comunicação e imagem e outra é a realidade. No caso do software nacional – área onde a Quidgest é pioneira – as boas práticas têm vindo a ser desenvolvidas com assinalável sucesso. Mas é preciso entender que esta indústria tem de ser valorizada e usada no próprio país e encarada como um instrumento para exportar o know-how e a língua portuguesa.
By: Cristina Marinhas
CEO Quidgest











